FOLCLORE – expressão das vivências das gentes

Um amigo um pouco distante destas andanças , questionava-me há pouco ainda,sobre como “será” o folclore daqui a cem anos, questão mal colocada já que o correcto será como “estará” o folclore daqui a cem anos. Isto porque daqui a cem,quinhentos ou mais anos o folclore será o mesmo que temos hoje. Como se sabe, FOLCLORE é a expressão das vivências das gentes de antigamente quando não ainda não tão influenciados por valores estranhos à sua maneira de ser e de estar,o que aconteceu quando chegou o progresso.

Certo,e ainda bem,que a evolução das coisas continuaram, mas o folclore,o tradicional parou aí a sua evolução, sendo a respectiva data como que uma referência no tempo onde vamos buscar a nossa identidade cultural tradicional.

Claro que o folclore deixou de evoluir,e jamais haverá um retrocesso pois cada vez estamos mais iguais,aquilo que hoje fazemos numa aldeia, numa vila ou numa cidade,não possui características para ser incluído no hoje aceite, conceito de folclore.

Ora vejamos:

Não constituem formas locais e tradicionais de fazer as coisas; não resultam (não foram moldadas)por essa usualidade local; são cada vez mais iguais a todas as outras-de outras localidades,regiões,naçlões,etc;são efémeras e heterogéneas(cíclicas muitas vezes)e são testemunhos de formas de viver semelhantes e prolongadas no tempo—leia-se representativas, das respectivas épocas.(Aurélio Lopes).

Pode até acontecer que ao estudar o folclore nos surjam outros fenómenos culturais,mas que terão o seu lugar próprio, de modo algum ocuparão o lugar do folclore/cultura tradicional/identidade cultural tradicional.

E aqui e agora, permitam-me referir “os apelos “que um investigador de topo nos deixou.Mas que os nossos intelectuais não leram,ou não gostaram do que leram; ou ainda terão pensado, que interesse podem ter os que se dedicam a coisas do povo”? (a)

(…) Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou.”
“(…) Nós, portugueses, estamos não nas vésperas, mas em plena fase de perdermos toda essa riqueza do passado. Se não corrermos rapidamente a salvar o que resta, seremos amargamente acusados pelos vindouros, pelo crime indesculpável de ter deixado perder o nosso património tradicional, dando mostras de absoluta incúria e ignorância. Se não o fizermos, daqui a duas gerações podemos ser um povo descaracterizado e profundamente pobre… (JORGE DIAS)

Agora,devemos ter presente que apenas a actuação de um grupo de folclore é pouco face a este apelo. Folclore não é apenas cantar e bailar,mas sim todas as vivências.Logo deve filmar as vivências possíveis,como a apanha da azeitona, a matança do porco,a taberna, a eira e muitas mais.

Será, penso eu, uma acção “interpretativa”.

(a) Há ainda hoje quem não compreenda que o “popular” e o “erudito” são simplesmente duas faces da mesma moeda—a Cultura—onde cucupam “lugares” e não “patamares” distintos.Digamos que se complementam.É um disparate mas há ainda considere que o “erudito” se destina a uma classe social superior.

Lino Mendes

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