Na Turquia…

Golpe ou não golpe, a verdade é que a “limpeza” se processa a muito bom ritmo e as “virgens opinadoras” estão, curiosamente, muito caladas. A luta essencial passa-se entre partidários do laicismo de Kemal Ataturk e do islamismo de Erdogan.

Ataturk expusou os derviches, mágicos e faquires dos pátios dos templos e das praças da cidade para libertar o povo de superstições, lutou pela emancipação das mulheres e até conseguiu acabar com o hábito da burka. Proposta difícil porque era um velho hábito que tinha origem num culto à divindade Astarte, deusa do amor, da fertilidade e da sexualidade, na antiga Mesopotâmia. Em homenagem à deusa do amor físico, todas as mulheres, sem excepção, tinham de se prostituir uma vez por ano, e para cumprirem o preceito divino sem serem reconhecidas, as mulheres da alta sociedade começaram a usar um véu enorme para não serem identificadas, a burka. E então, Ataturk publicou uma lei : «Com efeito imediato, todas as mulheres turcas têm o direito de se vestir como quiserem, no entanto todas as prostitutas devem usar a burka» .

Claro que nunca mais se viu a burka na Turquia!
Ataturk não enganou ninguém, disse ao que ia e executou.
Falámos de Ataturk. E Erdogan?
Nos anos 90 era presidente da Câmara de Istambul e leu um poema do ideólogo dos ” Jovens Turcos”( a seita a que pertenceu Agca que tentou assassinar João Paulo II) : “As nossas mesquitas serão os nossos quartéis, as cúpulas os nossos capacetes , os minaretes as nossas baionetas e os crentes os nossos soldados”; Não é possivel ser ao mesmo tempo laico e muçulmano! Porquê? porque a Ala, o criador do Islão, pertence-lhe o poder e o governo absolutos; o nosso único objectivo é o Estado islâmico”
Erdogan também não enganou ninguém.
Aos Turcos, a responsabilidade da escolha.

HC – FB

Anúncios