ÉVORA HOMENAGEIA AS VÍTIMAS DA INQUISIÇÃO E DE TODAS AS INTOLERÂNCIAS

Quatrocentos e oitenta anos depois da implantação do Tribunal do Santo Ofício
ÉVORA HOMENAGEIA AS VÍTIMAS DA INQUISIÇÃO E DE TODAS AS INTOLERÂNCIAS

Passam no Sábado quatrocentos e oitenta anos sobre o dia 22 de Outubro de 1536, em que foi lida na Sé de Évora perante o rei D. João III, o alto clero e muito povo, a bula papal que autorizava a instalação e funcionamento em Portugal do Tribunal do Santo Ofício.

Foi essa data escolhida pela Câmara Municipal de Évora para inaugurar um memorial que recorda e presta homenagem às vítimas da Inquisição portuguesa, homenagem essa que o governo da cidade quis estender também às vítimas de todas as intolerâncias.

Assim, no Sábado dia 22, às 17.00 horas, uma sessão solene terá lugar nos Paços do Concelho. Usarão da palavra, além do Presidente da Câmara, os Professores António Borges Coelho autor da mais completa história da Inquisição de Évora, e Fernanda Olival, responsável do centro de investigação da Universidade de Évora que se tem dedicado nos últimos anos ao estudo da Inquisição.

Após a sessão solene, será descerrado na Praça de Giraldo o memorial que será implantado entre a Judiaria e a Igreja de Santo Antão, no local em que no século XVI a Inquisição ateou as suas primeiras fogueiras.

A homenagem da cidade de Évora não se limita àquele acto público e ao memorial.

No Domingo dia 16, às 21.00 horas, teve início um ciclo de cinema sobre a Inquisição no Auditório Soror Mariana da Universidade de Évora. E até dia 27 de Novembro inclusive, será em cada Domingo exibido um filme diferente, de acordo com o programa que a Câmara de Évora está a divulgar.

Na tarde de Quinta-feira, dia 20, será inaugurada no Museu de Évora uma exposição iconográfica em que algumas dezenas de objectos, livros e gravuras, incluindo cartazes com o anúncio de Autos de Fé, nos permitirão um contacto com o ambiente que envolvia a actividade da Inquisição de Évora.

Finalmente, no dia 16 de Novembro terá lugar no antigo Palácio da Inquisição, sede da Fundação Eugénio de Almeida, um Seminário organizado pelo CIDEHUS, centro de investigação Universidade de Évora, em que serão apresentadas e discutidas comunicações originais sobre a Inquisição de Évora. De entre estas, refira-se a relativa ao estudo dos restos mortais recentemente descobertos numa antiga lixeira do Palácio da Inquisição.

Foi a descoberta destes restos mortais de vítimas anónimas da Inquisição que esteve na origem desta homenagem da Cidade, ciente que uma comunidade que não tem memória dificilmente terá futuro.

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